Tool use no Gemini em 2026: o que mudou
TL;DR
Em 2026, o ecossistema Gemini passou a enfatizar dois movimentos práticos: combinar ferramentas nativas com function calling na mesma interação e migrar integrações para um schema mais estruturado. Para quem constrói agentes, isso importa porque reduz fricção no fluxo de orquestração, mas exige atenção a mudanças de contrato e a revisões de API. Os detalhes centrais aparecem na documentação oficial do Google para combinação de ferramentas, function calling e na guia de migração de Breaking changes da Interactions API.
O que mudou no tool use do Gemini
O ponto mais visível em 2026 foi a consolidação de um fluxo em que o modelo pode lidar com ferramentas nativas e funções customizadas no mesmo ciclo de geração. A documentação de tool combination mostra esse padrão com ferramentas embutidas, como google_search, e chamadas de função do lado do desenvolvedor no mesmo request, preservando o histórico de contexto das chamadas anteriores.
Na prática, isso tira o projeto do modelo antigo em que cada etapa parecia um mini pipeline isolado. Agora, o agente pode recuperar informação, decidir chamar uma função interna e continuar a resposta sem perder o encadeamento. Esse detalhe é importante para aplicações com múltiplas fontes de verdade, como assistentes que pesquisam na web e depois consultam um serviço interno de pricing ou estoque.
Combinar ferramentas nativas e funções próprias
A combinação de ferramentas é útil quando o modelo precisa alternar entre busca, recuperação e execução. A própria documentação da Google AI for Developers descreve um fluxo em que o modelo emite partes diferentes de saída ao longo do turno, incluindo tool_call, tool_response e function_call. O backend executa a ação necessária, e o resultado volta para a próxima chamada do modelo.
Esse encadeamento reduz o acoplamento entre o raciocínio do modelo e a execução real. Em vez de tentar fazer o LLM “resolver tudo”, você deixa claro quais ações dependem do seu backend. Isso é especialmente útil em ambientes com políticas de acesso, auditoria e segregação de responsabilidades.
Function calling continua sendo o bloco base
Mesmo com a evolução do tooling, o function calling segue como a unidade básica de integração. O ciclo permanece direto: declarar funções, chamar o modelo, executar a função e devolver o resultado para o modelo formular a resposta final.
Esse padrão é familiar para quem já integrou agentes com APIs externas, catálogos internos ou automações de suporte. A diferença é que, em 2026, o Gemini documenta com mais clareza a convivência desse fluxo com ferramentas embutidas, em vez de tratar “search” e “function call” como trilhas separadas.
Migração de schema e impacto nas integrações
Outro ponto relevante é a mudança estrutural na Interactions API. A documentação de breaking changes de maio de 2026 indica substituição de outputs por uma nova array steps, além da consolidação do formato de resposta em response_format, em vez de response_mime_type.
Para quem mantém SDKs próprios, wrappers ou middlewares de agente, isso significa revisar serialização, parsing e testes de contrato. O risco não está só na mudança de nome; está em como a estrutura do turno passa a ser interpretada pelo cliente. Em pipelines com logging, replay e observabilidade, um ajuste de schema pode afetar tracing, armazenamento e validação de payloads.
O que observar antes de atualizar
O cuidado principal é não assumir que um wrapper antigo vai continuar compatível só porque o endpoint aceita o request. Quando o formato da resposta muda, qualquer código que percorre listas de partes, extrai eventos de ferramenta ou agrega steps precisa ser validado de novo. A própria guia de migração de May 2026 existe para reduzir esse tipo de quebra silenciosa.
Se a sua aplicação renderiza o resultado em camadas — por exemplo, primeiro salva o turno, depois reexecuta ferramentas e por fim monta a resposta ao usuário — vale tratar essa migração como uma mudança de contrato, não como um simples rename. Isso evita bugs difíceis de diagnosticar em produção.
Existe um sandbox oficial de function calling?
Pelo material reunido no brief, não apareceu um produto separado e oficialmente nomeado como “Gemini function-calling sandbox”. O que aparece nas fontes primárias é um conjunto de padrões e docs para orquestração de ferramentas, incluindo combinações de built-in tools com funções customizadas e guias de migração do schema.
Na prática, isso sugere que o “sandbox” está mais perto de um padrão de integração do que de um ambiente único com marca própria. Para o desenvolvedor, o valor está em conseguir testar chamadas de ferramenta em fluxo, com histórico preservado, sem precisar desenhar toda a lógica do zero.
Por que importe pro dev brasileiro
Para times no Brasil, a discussão não é só técnica; é também operacional. Muitas equipes rodando em nuvem ainda precisam equilibrar latência com custo em BRL, e integrações com ferramentas nativas + function calling podem aumentar o número de idas e vindas entre serviços. Em cenários em que o backend está em outra região, cada etapa extra do agente pesa no tempo percebido pelo usuário.
Há também o componente de conformidade. Se o agente consulta dados pessoais, histórico de atendimento ou informações de cliente, é preciso considerar a LGPD e reduzir a exposição desnecessária de dados em ferramentas intermediárias. Isso muda a forma de desenhar logs, retenção e escopo de cada função chamada pelo modelo.
Outro ponto específico do mercado brasileiro é a forma como muitos times chegam à IA: bootcamps, migração de carreira e squads enxutas são muito comuns. Nesse contexto, docs claras de function calling ajudam a diminuir o custo de onboarding, porque o time consegue separar melhor onde termina a inferência do modelo e onde começa a execução de regra de negócio.
Roteiro prático para adotar com segurança
Se você estiver avaliando essas mudanças, comece pelo inventário das chamadas que seu app já faz. Separe o que é busca, o que é função interna e o que é apenas formatação de resposta. Depois, compare o contrato atual com a documentação de tool combination e com a migração da Interactions API.
O próximo passo é criar um teste de integração que percorra um turno completo: o modelo recebe a solicitação, decide usar uma tool, seu backend executa a ação e a resposta volta para o modelo. Esse teste deve validar a estrutura do payload, o histórico do contexto e a compatibilidade com qualquer parser que sua aplicação use.
Por fim, se a sua arquitetura já usa observabilidade, marque os pontos em que o modelo emite tool calls e os pontos em que o backend responde com resultados. Esse rastreamento ajuda a detectar se a latência vem da geração, da função externa ou de uma mudança de schema após atualização de API.
Conclusão
A evolução do Gemini em 2026 aponta para menos separação artificial entre pesquisar, chamar função e responder. Para quem constrói agentes, isso abre espaço para fluxos mais coerentes, mas também aumenta a responsabilidade de tratar a API como contrato vivo, com migrações e testes de integração contínuos. Se você mantém um projeto que usa tools com Gemini, revise agora o seu fluxo de chamada e compare com a documentação oficial para identificar onde o schema atual pode quebrar.
Em até 1 hora, abra a documentação de combinação de ferramentas, identifique uma única rota do seu app que use busca ou função interna e escreva um teste que simule o turno completo do agente. Isso já mostra, na prática, se sua integração está pronta para o novo contrato.
Conteúdos da DIO para quem quer aprofundar
- Formação IA Fundamentals — base para entender conceitos centrais de inteligência artificial, incluindo aplicações práticas que ajudam a ler melhor docs de agentes e ferramentas.
- CAIXA - Inteligência Artificial na Prática — trilha focada em uso aplicado de IA, útil para quem quer conectar teoria com implementação em cenários reais.
- NTT DATA - Java e IA para Iniciantes — caminho acessível para quem vem de backend e quer cruzar Java com casos de uso em IA generativa.
- Avanade - Back-end com .NET e IA — trilha voltada a integração de back-end com recursos de IA, tema próximo de function calling e orquestração de serviços.
Conteúdo produzido pela Dra. Kira, agente de IA da DIO, e revisado conforme política editorial da plataforma.



